domingo, 30 de janeiro de 2011

Eu-mulher.

Uma gota de leite
me escorre entre os seios.
Uma mancha de sangue
me enfeita entre as pernas.
Meia palavra mordida
me foge da boca.
Vagos desejos insinuam esperanças.

Eu-mulher em rios vermelhos
inauguro a vida.
Em baixa voz
violento os tímpanos do mundo.
Antevejo.
Antecipo.
Antes-vivo

Antes – agora – o que há de vir.
Eu fêmea-matriz.
Eu força-motriz.
Eu-mulher
abrigo da semente
moto-contínuo
do mundo.

Conceição Evaristo

mulher mulher,O ser.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Você me achou e eu me perdi.

   Quando eu pensava que já estava tudo certo comigo,você veio e me roubou a paz.Os caminhos que eu pensava seguir,você torceu.As estradas que eu queria trilhar,você apagou.Me tomou o vazio em seus braços e me torturou.Tantos dias,você levou de mim...tanto sossego.E me trouxe a completa inquietação.Quando eu pensava que tudo estava ficando claro,você me deu o escuro e me fez companhia.E me deu um abraço apertado.Me tirou do chão,me ergueu e quase me quebrou ao meio.Me introuduziu o alfinete,me costurou no teu corpo.Quase 1.700 horas esperando para me desgrudar da tua pele,mas não consigo.De certa forma,gosto.De certa forma,insisto.Me encontro em parcial ausência de mim.E acho em você,o que,de alguma maneira, perdi.

 Lia


-"Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso...."-

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Contribuição de um antropólogo

    A maior contribuição de um antropólogo Claude Lévi-Strauss(que ainda jovem,trabalhou no Brasil,e morreu,centenário em 2009)é de uma simplicidade fundamental,e se expressa na convicção de que nao pode existir uma civilização absoluta mundial,porque a própria ideia de civilização implica a coexistência de culturas marcadas pela diversidade.O melhor da civilização é,justamente,essa "coalizão"de culturas,cada uma delas preservando a sua originalidade.Ninguém deu um golpe mais contundente no racismo do que Lévi-Strauss e poucos pensadores nos ensinaram,como ele,a ser mais humildes.
  Lévi-Strauss,em suas andanças pelo mundo,foi um pensador aberto para influências de outras disciplinas,como a linguística.Foi ele também quem abriu as portas da antropologia para as ciências de ponta,como a cibernética,que era então como se chamava a informática,conectando-a com as novas disciplinas como a teoria dos sistemas e a teoria da informação.
  Isso deu um novo perfil à antropologia,que propriciou uma nova abertura para as ciências exatas,e reuniu-a com as ciências humanas.
   Em 1952,escreveu o livro Raça e História,a pedido da UNESCO,para combater o racismo.De fato,foi um ataque feroz ao etnocentrismo,materializado num texto onde se formulavam de modo claro e inteligível teses que excediam a mera discussão acadêmica e se apoiavam em fatos.Comenta o antropólogo brasileiro Viveiros de Castro,do Museu Nacional."Ele traz para diante dos olhos ocidentais a questão dos índios americanos,algo que nunca antes havia sido feito.O colonialismo não mais podia sair nas ruas como costumava fazer.Foi um crítico demolidor da arrogâncias ocidental:os índios deixaram de ser relíquias do passado,deixaram de ser alegorias,tornando-se nossos contemporâneos.Isso vale mais do que qualquer análise".
  Reconhecer a existência do outro,a identidade do outro,a cultura do outro-eis a perspectiva generosa que Lévi-Strauss abriu e consolidou,para que nos véssemos a todos como variações de uma mesma humanidade essencial.

(Adaptado de Carlos Haag,Pesquisa Fapesp,dezembro 2009.)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Chuvisco.Chuvinha.Chuva...Toró!

Começou a temporada de chuva todos os dias às 13:00...Eu estava esperando por essa época.Época de deitar e ficar ouvindo,admirando,sorrindo ou chorando...

É,é bom...(necessário...)

Gotas ou Lágrimas?!?

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Usina de Belo Monte...NÃO!

O Presidente do IBAMA se demitiu quarta-feira passada devido à pressão para autorizar a licença ambiental de um projeto que especialistas consideram um completo desastre ecológico: o Complexo Hidrelétrico de Belo Monte.


A mega usina de Belo Monte iria cavar um buraco maior que o Canal do Panamá no coração da Amazônia, alagando uma área imensa de floresta e expulsando milhares de indígenas da região. As empresas que irão lucrar com a barragem estão tentando atropelar as leis ambientais para começar as obras em poucas semanas.

A mudança de Presidência do IBAMA poderá abrir caminho para a concessão da licença – ou, se nós nos manifestarmos urgentemente, poderá marcar uma virada nesta história. Vamos aproveitar a oportunidade para dar uma escolha para a Presidente Dilma no seu pouco tempo de Presidência: chegou a hora de colocar as pessoas e o planeta em primeiro lugar. Assine a petição de emergência para Dilma parar Belo Monte – ela será entregue em Brasília, vamos conseguir 300.000 assinaturas:

http://www.avaaz.org/po/pare_belo_monte/97.php

Abelardo Bayma Azevedo, que renunciou à Presidência do IBAMA, não é a primeira renúncia causada pela pressão para construir Belo Monte. Seu antecessor, Roberto Messias, também renunciou pelo mesmo motivo ano passado, e a própria Marina Silva também renunciou ao Ministério do Meio Ambiente por desafiar Belo Monte.

A Eletronorte, empresa que mais irá lucrar com Belo Monte, está demandando que o IBAMA libere a licença ambiental para começar as obras mesmo com o projeto apresentando graves irregularidades. Porém, em uma democracia, os interesses financeiros não podem passar por cima das proteções ambientais legais – ao menos não sem comprarem uma briga.

A hidrelétrica iria inundar pelo menos 400.000 hectares da floresta, impactar centenas de quilômetros do Rio Xingu e expulsar mais de 40.000 pessoas, incluindo comunidades indígenas de várias etnias que dependem do Xingu para sua sobrevivência. O projeto de R$30 bilhões é tão economicamente arriscado que o governo precisou usar fundos de pensão e financiamento público para pagar a maior parte do investimento. Apesar de ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, ela seria a menos produtiva, gerando apenas 10% da sua capacidade no período da seca, de julho a outubro.

Os defensores da barragem justificam o projeto dizendo que ele irá suprir as demandas de energia do Brasil. Porém, uma fonte de energia muito maior, mais ecológica e barata está disponível: a eficiência energética. Um estudo do WWF demonstra que somente a eficiência poderia economizar o equivalente a 14 Belo Montes até 2020. Todos se beneficiariam de um planejamento genuinamente verde, ao invés de poucas empresas e empreiteiras. Porém, são as empreiteiras que contratam lobistas e tem força política – a não ser claro, que um número suficiente de nós da sociedade, nos dispormos a erguer nossas vozes e nos mobilizar.

A construção de Belo Monte pode começar ainda em fevereiro.O Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, diz que a próxima licença será aprovada em breve, portanto temos pouco tempo para parar Belo Monte antes que as escavadeiras comecem a trabalhar. Vamos desafiar a Dilma no seu primeiro mês na presidência, com um chamado ensurdecedor para ela fazer a coisa certa: parar Belo Monte, assine agora:

http://www.avaaz.org/po/pare_belo_monte/97.php

Acreditamos em um Brasil do futuro, que trará progresso nas negociações climáticas e que irá unir países do norte e do sul, se tornando um mediador de bom senso e esperança na política global. Agora, esta esperança será depositada na Presidente Dilma. Vamos desafiá-la a rejeitar Belo Monte e buscar um caminho melhor. Nós a convidamos a honrar esta oportunidade, criando um futuro para todos nos, desde as tribos do Xingu às crianças dos centros urbanos, o qual todos nós podemos ter orgulho.

Com esperança

Ben, Graziela, Alice, Ricken, Rewan e toda a equipe da Avaaz

Fontes:

Belo Monte derruba presidente do Ibama:
http://colunas.epoca.globo.com/politico/2011/01/12/belo-monte-derruba-presidente-do-ibama/

Belo Monte será hidrelétrica menos produtiva e mais cara, dizem técnicos:
http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/04/belo-monte-sera-hidreletrica-menos-produtiva-e-mais-cara-dizem-tecnicos.html

Vídeo sobre impacto de Belo Monte:
http://www.youtube.com/watch?v=4k0X1bHjf3E

Uma discussão para nos iluminar:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101224/not_imp657702,0.php

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Lixiviação Humana.


Assistindo os noticiários sobre o apocalipse que esta acontecendo no RJ e SP,me senti quase obrigada a postar alguma coisa aqui falando acerca disso.Mas não faço isso por obrigação,mas sim por que sei que é o mínimo do mínimo do que eu posso fazer.Na região serrana,ocupações desordenadas nas encostas dos morros,ruas sem escoamento e muuita chuva...(8 hr de chuva intensa,pelo menos).O que está acontecendo?É fácil perguntar:" Mas por que que esse caboco foi morar logo aí?".Bem,não é fácil responder.Temos que observar a situação miserável em que vive essa sociedade-cerca de 5 milhões de pesssoas vivem em áreas de risco-que por vezes(quase sempre... )é obrigada a obter aquele,justamente aquele espaço de terra para morar.Será que a situação é diferente em Belém ou no Amazonas?Com o salário sifilítico que temos,morar em Copacabana não é uma opção,digamos...justa.Acho interessante os jornais tentanto "explicar" os desastres."Uma rocha qualquer,ao sofrer intemperismo,tranforma-se em solo,adquire maior porosidade e como decorrência,há penetração de ar e água(muuuuita água), o que cria condições propícias para o desenvolvimento de formas vegetais e animais(planta de jardim e homo sapiens?),no Brasil,o o escoamento superficial da água é o principal agente erosivo,que por sua vez,acaba com a fertilidade natural do solo(que pena...),na erosão vertical,a água que se infiltra pelo solo escoa através dos poros ,como em uma esponja e vai,literalmente,lavando os sais mineiras hidrossolúveis,casas e corpos humanos ,que por ventura ,estejam ali presentes...".Acho que,no momento,a população grita:Fodam-se as explicações físico-químicas ou sei lá o que!
É triste ver tanta gente triste,sem ter onde morar ou perdendo toda a família.Vi umas imagens que me fizeram lembrar coisas tipo o Haiti ou o Vietnã.Mortos e mortos.Mas podemos ajudar fazendo doações de dinheiro(no caso de Belém),roupas,alimentos não perecíveis,ou até ajudando a divulgar a solidariedade.Acho que não preciso postar aqui os vídeos ou a notícia do jornal.Seria inútil,basta ligar a TV.Pode ser especulação,pode ser dramatização.Mas o sofrimento,a dor e a tristeza...isso,com certeza,é.Penso,"O que mais um 'simples' processo erosivo pode fazer?"As perdas são irreparáveis.O marido,a esposa,os cinco filhos,os 3 netos,o cachorro,a casa...O que mais a terra pode levar e a chuva...lavar?A diginidade ou talvez...a esperança?
"Estou bem,apesar de ter perdido tudo."Disse uma senhora de Teresópolis.

Ajudemos juntos.

Lia Tatyane Alvez


domingo, 16 de janeiro de 2011

Peso.

 

   Às vezes me pergunto se é o corpo ou a mente que precisa de tempo.Os dois.O corpo,como toda máquina,necessita recarregar.A mente,como toda obra,precisa de reparos e descanso.Na dualidade do meu desconforto,penso que como um todo,eu preciso de tudo.Minha ''fraqueza'' deixa minha mente escrava de meu corpo,ou será o contrário?Por um segundo acho que é 'coisa de minha cabeça'.Por que será?Obviamente não sei.Já me confundi tantas vezes em tentar achar a resposta,desse jeito sinto-me mais escrava dessa prisão que a cada dia persegue meus terríveis sonhos e meus pobres pensamentos.A espera me deixa cansada.Confusão,paro pra analisar minha confusão e sinto-me perdida(claro).
  Passo a mão nos olhos e passa olheiras profundas de  descontentamento.Passa meu cabelo mal-lavado e passa o tempo frio e calado.Passa a postura com que sento na cama e me vejo curvada e fraca.Pensando.Sou feita de pele e osso e chocolate.E pele e chocolate.E chocolate e pele.
   As horas caem pela mente,adentra pelos olhos,caem ao compasso do meu colo e desce até a cintura,ligeiramente circula minha perna e atravessa meus pés e sai , voa.Tudo isso sem sentir,apenas passa (ou escorre?).Não sei,mas pesa.Pesa e passa.


Lia-


  ''Demasiadas palavras,fraco impulso de vida ,travada a mente na ideologia e o corpo não agia ,como se o coração tivesse antes que optar entre o inseto e o inseticida.''
                                                                                                                  Caê Veloso

Futuro

Manuel ainda relutou,sentado na cama,antes de deitar,desligar a luz de cabeceira,enfiar-se debaixo dos lençóis.Não dormiu de imediato,seus olhos demoraram para fechar.Por fim fecharam e ele dormiu,e dormiu bem.Tem apenas uma vaga noção do que lhe aconteceria se tivesse ido ao encontro.Tivesse ido conheceria a mulher estonteante que Carlos contratara.Teria tomado do melhor champanhe,comido da melhor comida.Riria muito das piadas de Carlos,sujeito simpático à beça.Sorriria um pouco sem graça dos elogios endereçados a ele.Não deixaria de notar a maneira como a mulher o encarava,o jeito com que,voltando do banheiro,sentaria ao seu lado,roçando a perna na sua.A noite,o motel mais caro da cidade ela pagaria,e seria o melhor sexo que teria feito.Fim de semana passaria do iate de Carlos,mais champanhe,mais mulheres que pareciam nem existir,tão bonitas,tão solícitas,justo com ele,um sujeito bem sem graça.Não fosse pra cama,segunda-feira sua mãe lhe telefonaria,logo depois que um emissário do Doutor Carlos deixasse sua casa.Você é o melhor filho que Deus podia ter me dado,esse é o sonho de uma vida,Roma!,Jerusalém!,obrigada Manesinho,meu Manesinho!Manuel não teria corajem de dizer que era engano,que não havia presente algum.E quando Carlos o convidasse para jogar bola em seu sítio,com cantor sertanejo famoso,com ex-jogador da seleção,não conseguiria recusar.Jogando tênis, num sábado,perguntaria o porquê do abatimento do amigo.Carlos,hesitante,diria que precisava de um favor,porém não achava certo incomodá-lo,fazer com que se arriscasse.Dois dias de insistÊncia para Carlos revelar:precisava de cópias das propostas de outras empresas.Perdoasse-o por ter falado,é que a situação era  desesperadora.Manuel teria dito que sentia muito,nada poderia fazer.Carlos se desculparia outra vez,não tocaria mais no assunto.Uma semana e Manuel levaria ao amigo a lista confidencial.Em dois anos teria seu primeiro milhão,seu primeiro remédio para insônia.Em dez,dez.Uma mulher linda lhe daria filhos lindos que herdariam as fazendas,a casa de praia,as amizades.Nada na vida como as amizades.Manuel teria tido uma vida farta,uma vida ótima.E na hora de morrer,por um instante e com toda sinceridade,teria se arrependido.Se não tivesse ido dormir, naquela noite.Mas ele foi.Jamais provará do melhor champanhe,da mulher mais cara.Terá uma vida difícil de funcionário público.Casará com uma gorda que lhe dará filhos gordos,mesmo ele ficará gordo.sonhará todos os dias com o fim das prestações da casa própria,com a aposentadoria.Sua mãe morrerá sem ir à Roma ou Jerusalém,no máximo,Aparecida do Norte,de ônibus.Uma noite de domingo acordará e saberá que a morte se avisinha.Por um instante e com toda sinceridade ele se arrependerá.E fechará os olhos,sorrirá um sorriso quieto,sem alegria ou tristeza.E sem perceber,Manuel adormecerá.

Conto retirado do livro -"18 contos de corrupção",antiga leitura obrigatória do vestibular.
Autor do conto:Carlos Eduardo de Magalhães.

Eu Paradoxo.

-Solzinho frio,no aconchego desconcertante do sono incansável.Acabo ouvindo o vazio roer as poesias nunca escritas,os versos nunca ditos.A noite mais clara do ano foi aquela em que eu acordei e sonhei comigo mesma,falando sozinha,um trecho,eu paradoxo.


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Vem


Para de falar de ti e vem
Vem ver o sorriso te mastigar
E o mistério que só tu tens
E a maneira de me olhar...
Para de dizer bobagens e vem
Vem provar da boca entreaberta
Vem provar do sujo beijo calado
Sujo,Rosto apertado...
Para de fingir que finges bem
Se só eu sei o que não tens
E o que é meu,és meu,meu bem...
Cala a boca e vem...


Lia

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Tragos



    O tempo passou devagar naquela noite.Os lençóis enrolavam por entre as pernas e as lágrimas molhavam a boca seca.O silêncio desaparecia nos pensamentos  fétidos e incansáveis.Parou e viu a sombra na parede,eram os erros que haviam surgido.Os problemas.As raivas e rancores.Como se já não bastasse aquela noite,o fígado estragado reclamava e a barriga gemia.
    E o pensamento?perturbador.Mais um dia vazio na vida daquela mulher...Enquanto se mechia,os outros brigavam na parede de cima,discutindo problemas ridículos e não muito interessantes.Ao lado,gritos e gemidos intensos,típicos de uma casa vermelha.Mas não,era uma casa de oração,imagina.Exclamavam o mais alto som para glorificar seu deus,pronunciavam coisas impronunciáveis e cantavam a música mais deprimente que ela já ouvira.Atrapalhavam e conduziam o desespero daquela pequena,que tentava dormir.
   E quando o Hialo nascia,a claridade invadia o quarto apertado,ilumindando o rosto sujo e o corpo nu.Lenvantou-se lentamente,foi esperar mais uma noite...Cansou de insistir.
"(...)Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas,de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero."

Texto: Lia,com "finalização" de F.Pessoa.