Apesar da insconstância perturbadora que me assola a vida,ainda tenho ingênuas esperanças de que todo o meu caráter mutável seja efêmero.Sim,que ele possa vir,mas ir.Embora eu ache que há a necessidade,sim,de se renovar os pensamentos.Mas até onde isso é válido?Chega-se um tempo que é preciso que se pare em constância(meu deus!,eu falando isso???),porque com o tempo,percebe-se que a falta de si mesmo,quando não se é mais o que fora antes.Entendeu?Sinto falta de eu mesma,apesar de muitas vezes,sentir-me cansada,isso sim.Esses momentos raros de ausência de mim me fizeram perceber que posso ser igual pelo menos um dia,pra ver se não sofro tanto com as mudanças que eu acabo por transformar no meu mundo.E tudo isso sem querer.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
A-FETO
Afetos intraduzíveis
Pensamentos dolorosos
A folha e o menino
Falsos desejos libidinosos...
Amores indissolúveis
Poeira grotesca
A casa e a menina
Falsa alergia pitoresca
Amizade incrontrolável
Poesias encantadas
A matéria e o espírito
Fortes fontes desfocadas
lia
Pensamentos dolorosos
A folha e o menino
Falsos desejos libidinosos...
Amores indissolúveis
Poeira grotesca
A casa e a menina
Falsa alergia pitoresca
Amizade incrontrolável
Poesias encantadas
A matéria e o espírito
Fortes fontes desfocadas
lia
Chorachuva
Não é chuva rápida
Quem dera chovesse em finitude
Pelo contrário,só é tempestade
Que alaga meus cantos distraídos
Não é passageira
Quem dera viesse assim e fosse embora
Pelo contrário
só fica
e chora e chora..
(tá alagada,rua de belém
tô sem saída pra plantar meu bem
tá tudo enchendo e fora do lugar
eu tô perdida,ela nao vai parar)
Não é tão simples como garoar...
Lia
domingo, 15 de maio de 2011
Bruta flor!
Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alta, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alta, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim
sábado, 14 de maio de 2011
Cores,tantas cores....
Com peito cheio de saudades e um coração batendo forte!
E por que só escrever quando se esta triste?Hoje não!Hoje eu acordei pro SOL,rubro e vivo! : )
Obs:toró chegando...coisa bôa.
sábado, 30 de abril de 2011
Então...
Em coração
Em oração
Em mim
Em ti
Enfim
(L.Tatyane)
-Lua,me faz um favor? ilumina aqui dentro!
Em oração
Em mim
Em ti
Enfim
Em dias
Em vozes
Em vidas
Em doses,então...
(L.Tatyane)
sexta-feira, 29 de abril de 2011
O tempo é o senhor da ilusão!
Ando por entre as águas do rio
Sempre calmas em desafio
Sobre as ondas fartas de vida
Sempre levando a causa viva
Das ilusões esquecidas
A mente vai longe e a mágoa reaviva
O pensar doloroso do tempo perdido
E não sendo de meu conhecimento
Mero acaso,momento
Nosso pequeno passa-tempo
Seria o simples acontecimento
Que o menino do rio acabasse perdendo
As chances de achar a maré boa
Procurando em mim,seus caminhos
E tentando apagar o sábio passarinho
Que canta e encanta na ponta da canoa.
(L.tatyane)
Sempre calmas em desafio
Sobre as ondas fartas de vida
Sempre levando a causa viva
Das ilusões esquecidas
A mente vai longe e a mágoa reaviva
O pensar doloroso do tempo perdido
E não sendo de meu conhecimento
Mero acaso,momento
Nosso pequeno passa-tempo
Seria o simples acontecimento
Que o menino do rio acabasse perdendo
As chances de achar a maré boa
Procurando em mim,seus caminhos
E tentando apagar o sábio passarinho
Que canta e encanta na ponta da canoa.
(L.tatyane)
Talvez eu seja...
Talvez a paz seja apenas uma condição que achamos válida em situações de desespero.Talvez o medo seja apenas reflexo dos nossos próprios sentimentos-muitas vezes,abafado-.Talvez o amor seja o único ser digno de confiança,pois o ser-amor é muito mais.E com tudo isso,com tantos 'talvez',certamente sei que as dúvidas são apenas os talvezes manifestados em nossa mente aflita por respostas que nunca serão respondidas...Cada um é capaz de formular seus próprios dogmas internos e quase sempre são aquilo que mais rejeitamos no outro,nossas próprias contradições,nada mais natural.
(L.tatyane)
(L.tatyane)
sábado, 26 de março de 2011
Iá Iá
("Sé hora de chegar,Iá Ia?Sé hora de chegar?"
"ô mô pai,vi di lá...")
Batucada soou
E o corpo seguiu a trilha
O meu tambor tocou
E foi dançar,sua filha
A lua clareou
E vez do nego se aproximou
Vem de lá,Vem de longe
Minha alma se entrega ao senhor
Vem buscar,Venha logo
Que o meu corpo sentiu-se à dor
Ô mô pai se eu te conto
O que o nego falou preu ouvir
Ele disse que logo
faria minha dor sumir
Com a voz do robusto
Com palvras,me disse assim:
"Fecha os olhos,menina
Acalma a fome
Que logo te dou meu colo,neném
E se precisares,eu te garanto
Que um novo amor,te trago também..."
Lia
Foto:Cumbú
"ô mô pai,vi di lá...")
Batucada soou
E o corpo seguiu a trilha
O meu tambor tocou
E foi dançar,sua filha
A lua clareou
E vez do nego se aproximou
Vem de lá,Vem de longe
Minha alma se entrega ao senhor
Vem buscar,Venha logo
Que o meu corpo sentiu-se à dor
Ô mô pai se eu te conto
O que o nego falou preu ouvir
Ele disse que logo
faria minha dor sumir
Com a voz do robusto
Com palvras,me disse assim:
"Fecha os olhos,menina
Acalma a fome
Que logo te dou meu colo,neném
E se precisares,eu te garanto
Que um novo amor,te trago também..."
Lia
Foto:Cumbú
sábado, 19 de março de 2011
Rubro sol.Rubro sou.
"Logo quando acordo o rubro do sol bate em minha janela, aquecendo minha cama, meu corpo e minha vida."
Enquanto ainda houver...
Amor o suficiente pra dizer...
Palavras que já não bastam pra entender
o inexplicável descontentamento
e a veracidade de dizer aquilo que se sabe...
Caminhos,ombros odores do dia
E a noite chega apagando
o que já nao é mais verdade
é a vontade não-vontade de querer..
É o mais-que-perfeito do olhar
É o caimento livre do homem
que sabe justamente o que quer
por não saber se doar
E ser suficiente..mulher.
(Lia)
Palavras que já não bastam pra entender
o inexplicável descontentamento
e a veracidade de dizer aquilo que se sabe...
Caminhos,ombros odores do dia
E a noite chega apagando
o que já nao é mais verdade
é a vontade não-vontade de querer..
É o mais-que-perfeito do olhar
É o caimento livre do homem
que sabe justamente o que quer
por não saber se doar
E ser suficiente..mulher.
(Lia)
terça-feira, 15 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
E o vazio...
Quando o fogo apaga.Quando a chama cessa.Quando a luz já não ilumina.Quando o copor pede.Os olhos secam.A voz cala.O odor some.Cadê as rosas?Cadê o jeito?E a matéria....pede por alma.
-A de outrem-
lia-
-A de outrem-
lia-
O velho e a Flor
Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
E eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou:
O amor é um carinho
É o espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando, chega sangrando
Aberta, em pétalas de amor
Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
E eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou:
O amor é um carinho
É o espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando, chega sangrando
Aberta, em pétalas de amor
Toquinho e Vinícius de Moraes
sábado, 12 de março de 2011
Rosa.
O teu destino era ser MINHA.
Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu
Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza
Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu
Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza
Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer
sexta-feira, 11 de março de 2011
No Devan
O Corpo quando fala é exato.Sempre diz aquilo que pensa,com gestos e formas,curvas e calafrios...Um sinal perto do pescoço é um sinal de alerta...Pare e olhe atentamente,existe algo mais para ser admirado.
Tu olhas atentamente todos os pontos.Você se fixa na imagem nua e as marcas passam despercebidas-são nada-.Chegas perto e sente o cheiro de Dama da noite,a essência chama a atenção,te sufoca e te alivia aos poucos.Abrem-se os poros,porque ela sente o arrepio calada e sorri irrequieta.Levanta teus olhos e vê!A noturna mulher...
Pelo pescoço ereto,você a puxa para uma dança,a silenciosa dança.Não sabes exatamente o que ela quer dizer com aquele olhar,mas ela sabe muito bem o que esta tentando dizer.Cada passo é um desafio,todos os movimentos espontâneos são a tradução do desejo que se perpetua na alma daquela flor.És agora parte do balanço.O ritmo te perturba mas estas no caminho certo.
Os lábios se tocam levemente,os olhos caem,a respiração nunca foi tão intensa- desejo-.A música para.O silêncio é o que tanto esperas.O corpo não para de falar e em ti só resta a dúvida do sim.Ela,então,te abraça.E tu não precisas mais de resposta nenhuma pois agora encontra-te envolto em tudo.São marcas e sinais que te trazem à realidade...Devaneio noturno,despertas de mais um sonho.
Lia-
Lia-
terça-feira, 8 de março de 2011
Me encontrar?
Sim.Eu NÃO desisto de me procurar.Por mais difícil que seja.Num bar ou numa cama vazia.Numa página de um livro mau escrito ou nos vagos desejos de internet.Na casa?Na praça?No extremo existencialismo?
Onde foi parar o tempo?a esperança do desconhecido?A viagem mal sucedida abriu cicatrizes mortas(praticamente esquecidas).Aquela multidão gritando :"carnavália!,Carnavália!" .Onde estou,afinal?
-Perdi o dia do ensaio e a minha escola de samba não desfilou.
Onde foi parar o tempo?a esperança do desconhecido?A viagem mal sucedida abriu cicatrizes mortas(praticamente esquecidas).Aquela multidão gritando :"carnavália!,Carnavália!" .Onde estou,afinal?
-Perdi o dia do ensaio e a minha escola de samba não desfilou.
domingo, 6 de março de 2011
...
Atire a primeira pedra
Quem não sofreu, quem não morreu por amor
Todo corpo que tem um deserto
Tem um olho de água por perto
Para ouvir basta abrir os poros
Para aceitar basta oferecer
Para que adiar um desejo
De alguém que lhe quer tanto beijo
Quem de vocês
Resiste a uma tentação
Quem pretende revogar a lei do coração
Quem ousaria
Dessas vozes duvidar
Deixa a sua natureza se manifestar
Quem não sofreu, quem não morreu por amor
Todo corpo que tem um deserto
Tem um olho de água por perto
Para ouvir basta abrir os poros
Para aceitar basta oferecer
Para que adiar um desejo
De alguém que lhe quer tanto beijo
Quem de vocês
Resiste a uma tentação
Quem pretende revogar a lei do coração
Quem ousaria
Dessas vozes duvidar
Deixa a sua natureza se manifestar
Minha música de carnaval. :)
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Amor,assassino de mim.
Hoje eu acordei viva.Sim!Hoje eu lembrei das dores de cabeça do dia anterior.Recordei do dia da minha morte.Eu não estava mais ali,talvez nem ele soubesse disso,mas eu morri no dia tal,na hora tal e em seus beijos.Morri para o mundo que me cercara de vez.Sem dó,sem dor.Morri sem saber e não fui enterrada."Vivi" como se ainda tivesse alguma alma na minha matéria.Tudo era perfeito.Eu não sentia mais dor,não chorava,nem sangrava.Porque era tudo perfeito.Quando nos abraçávamos ,as nuvens vinham me buscar e me conduziam ao céu.Foi aí que eu percebi,entre nuvens ,que eu estava dura e gélida.Sem pulso.Porque o barato mesmo era sentir medo,aflição.Quando está tudo lindo,você morre.Morre para a decepção e para a surpresa.Não adianta achar tudo maravilhoso.A dor faz parte da VIDA.A falsidade,a ignorância.Eu não tentava buscar o equilíbrio,o meio termo.Achava que era tudo do jeito que estava e estava tudo do jeito que eu queria.Sem perceber,eu tinha morrido.Morri de mim e do outro.O amor me matou.PELO amor e não POR amor.-O amor,a paixão,assassinos de mim.
"Basta-me ver-te e ficam mudos os meus lábios,ata-se a minha língua,um fogo sutil corre sob minha pele,escorre por mim o suor,acometem-me tremuras e fico mais pálida que a palha;dir-se-iaque estou morta."
Poetisa Safo,séc. V a.C
"Basta-me ver-te e ficam mudos os meus lábios,ata-se a minha língua,um fogo sutil corre sob minha pele,escorre por mim o suor,acometem-me tremuras e fico mais pálida que a palha;dir-se-iaque estou morta."
Poetisa Safo,séc. V a.C
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
O Desejo
A gana das paixões se guarda no ser
Junto à sofreguidão das fomes
E vertigem preciptando a queda
Voraz me consome qual fogo
Estala os dedos e começa a dança
Alastrando danação e desejo
Avança,e seus olhos são duas brasas
Infernizando o silêncio das noites.
-El Deseo-
Silvia Jacintho,Dança do Fogo.
Junto à sofreguidão das fomes
E vertigem preciptando a queda
Voraz me consome qual fogo
Estala os dedos e começa a dança
Alastrando danação e desejo
Avança,e seus olhos são duas brasas
Infernizando o silêncio das noites.
-El Deseo-
Silvia Jacintho,Dança do Fogo.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Apenas um lapso.
Quando a brisa ousa me tocar
Eu imagino,ao fechar os olhos,nós dois abraçados...
Sentados
Calados
Olhando-nos como se fossemos desvendar o mistério que cada um guarda.
Tu observas meus cantos e tantos encantos que só tu sabes ver...
Eu desvio o olhar de lado,com vergonha...
Aquele olhar acanhado,mostro assim
O rosto arranhado
Assustado
Que tenta enxergar
Fracassado, o significado de tudo...
Lia
Eu imagino,ao fechar os olhos,nós dois abraçados...
Sentados
Calados
Olhando-nos como se fossemos desvendar o mistério que cada um guarda.
Tu observas meus cantos e tantos encantos que só tu sabes ver...
Eu desvio o olhar de lado,com vergonha...
Aquele olhar acanhado,mostro assim
O rosto arranhado
Assustado
Que tenta enxergar
Fracassado, o significado de tudo...
Lia
domingo, 30 de janeiro de 2011
Eu-mulher.
Uma gota de leiteme escorre entre os seios.
Uma mancha de sangue
me enfeita entre as pernas.
Meia palavra mordida
me foge da boca.
Vagos desejos insinuam esperanças.
Eu-mulher em rios vermelhos
inauguro a vida.
Em baixa voz
violento os tímpanos do mundo.
Antevejo.
Antecipo.
Antes-vivo
Antes – agora – o que há de vir.
Eu fêmea-matriz.
Eu força-motriz.
Eu-mulher
abrigo da semente
moto-contínuo
do mundo.
Conceição Evaristo
mulher mulher,O ser.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Você me achou e eu me perdi.
Quando eu pensava que já estava tudo certo comigo,você veio e me roubou a paz.Os caminhos que eu pensava seguir,você torceu.As estradas que eu queria trilhar,você apagou.Me tomou o vazio em seus braços e me torturou.Tantos dias,você levou de mim...tanto sossego.E me trouxe a completa inquietação.Quando eu pensava que tudo estava ficando claro,você me deu o escuro e me fez companhia.E me deu um abraço apertado.Me tirou do chão,me ergueu e quase me quebrou ao meio.Me introuduziu o alfinete,me costurou no teu corpo.Quase 1.700 horas esperando para me desgrudar da tua pele,mas não consigo.De certa forma,gosto.De certa forma,insisto.Me encontro em parcial ausência de mim.E acho em você,o que,de alguma maneira, perdi.
Lia
-"Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso...."-
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Contribuição de um antropólogo
A maior contribuição de um antropólogo Claude Lévi-Strauss(que ainda jovem,trabalhou no Brasil,e morreu,centenário em 2009)é de uma simplicidade fundamental,e se expressa na convicção de que nao pode existir uma civilização absoluta mundial,porque a própria ideia de civilização implica a coexistência de culturas marcadas pela diversidade.O melhor da civilização é,justamente,essa "coalizão"de culturas,cada uma delas preservando a sua originalidade.Ninguém deu um golpe mais contundente no racismo do que Lévi-Strauss e poucos pensadores nos ensinaram,como ele,a ser mais humildes.
Lévi-Strauss,em suas andanças pelo mundo,foi um pensador aberto para influências de outras disciplinas,como a linguística.Foi ele também quem abriu as portas da antropologia para as ciências de ponta,como a cibernética,que era então como se chamava a informática,conectando-a com as novas disciplinas como a teoria dos sistemas e a teoria da informação.
Isso deu um novo perfil à antropologia,que propriciou uma nova abertura para as ciências exatas,e reuniu-a com as ciências humanas.
Em 1952,escreveu o livro Raça e História,a pedido da UNESCO,para combater o racismo.De fato,foi um ataque feroz ao etnocentrismo,materializado num texto onde se formulavam de modo claro e inteligível teses que excediam a mera discussão acadêmica e se apoiavam em fatos.Comenta o antropólogo brasileiro Viveiros de Castro,do Museu Nacional."Ele traz para diante dos olhos ocidentais a questão dos índios americanos,algo que nunca antes havia sido feito.O colonialismo não mais podia sair nas ruas como costumava fazer.Foi um crítico demolidor da arrogâncias ocidental:os índios deixaram de ser relíquias do passado,deixaram de ser alegorias,tornando-se nossos contemporâneos.Isso vale mais do que qualquer análise".
Reconhecer a existência do outro,a identidade do outro,a cultura do outro-eis a perspectiva generosa que Lévi-Strauss abriu e consolidou,para que nos véssemos a todos como variações de uma mesma humanidade essencial.
(Adaptado de Carlos Haag,Pesquisa Fapesp,dezembro 2009.)
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Chuvisco.Chuvinha.Chuva...Toró!
Começou a temporada de chuva todos os dias às 13:00...Eu estava esperando por essa época.Época de deitar e ficar ouvindo,admirando,sorrindo ou chorando...
É,é bom...(necessário...)
Gotas ou Lágrimas?!?
É,é bom...(necessário...)
Gotas ou Lágrimas?!?
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Usina de Belo Monte...NÃO!
O Presidente do IBAMA se demitiu quarta-feira passada devido à pressão para autorizar a licença ambiental de um projeto que especialistas consideram um completo desastre ecológico: o Complexo Hidrelétrico de Belo Monte.
A mega usina de Belo Monte iria cavar um buraco maior que o Canal do Panamá no coração da Amazônia, alagando uma área imensa de floresta e expulsando milhares de indígenas da região. As empresas que irão lucrar com a barragem estão tentando atropelar as leis ambientais para começar as obras em poucas semanas.
A mudança de Presidência do IBAMA poderá abrir caminho para a concessão da licença – ou, se nós nos manifestarmos urgentemente, poderá marcar uma virada nesta história. Vamos aproveitar a oportunidade para dar uma escolha para a Presidente Dilma no seu pouco tempo de Presidência: chegou a hora de colocar as pessoas e o planeta em primeiro lugar. Assine a petição de emergência para Dilma parar Belo Monte – ela será entregue em Brasília, vamos conseguir 300.000 assinaturas:
http://www.avaaz.org/po/pare_belo_monte/97.php
Abelardo Bayma Azevedo, que renunciou à Presidência do IBAMA, não é a primeira renúncia causada pela pressão para construir Belo Monte. Seu antecessor, Roberto Messias, também renunciou pelo mesmo motivo ano passado, e a própria Marina Silva também renunciou ao Ministério do Meio Ambiente por desafiar Belo Monte.
A Eletronorte, empresa que mais irá lucrar com Belo Monte, está demandando que o IBAMA libere a licença ambiental para começar as obras mesmo com o projeto apresentando graves irregularidades. Porém, em uma democracia, os interesses financeiros não podem passar por cima das proteções ambientais legais – ao menos não sem comprarem uma briga.
A hidrelétrica iria inundar pelo menos 400.000 hectares da floresta, impactar centenas de quilômetros do Rio Xingu e expulsar mais de 40.000 pessoas, incluindo comunidades indígenas de várias etnias que dependem do Xingu para sua sobrevivência. O projeto de R$30 bilhões é tão economicamente arriscado que o governo precisou usar fundos de pensão e financiamento público para pagar a maior parte do investimento. Apesar de ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, ela seria a menos produtiva, gerando apenas 10% da sua capacidade no período da seca, de julho a outubro.
Os defensores da barragem justificam o projeto dizendo que ele irá suprir as demandas de energia do Brasil. Porém, uma fonte de energia muito maior, mais ecológica e barata está disponível: a eficiência energética. Um estudo do WWF demonstra que somente a eficiência poderia economizar o equivalente a 14 Belo Montes até 2020. Todos se beneficiariam de um planejamento genuinamente verde, ao invés de poucas empresas e empreiteiras. Porém, são as empreiteiras que contratam lobistas e tem força política – a não ser claro, que um número suficiente de nós da sociedade, nos dispormos a erguer nossas vozes e nos mobilizar.
A construção de Belo Monte pode começar ainda em fevereiro.O Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, diz que a próxima licença será aprovada em breve, portanto temos pouco tempo para parar Belo Monte antes que as escavadeiras comecem a trabalhar. Vamos desafiar a Dilma no seu primeiro mês na presidência, com um chamado ensurdecedor para ela fazer a coisa certa: parar Belo Monte, assine agora:
http://www.avaaz.org/po/pare_belo_monte/97.php
Acreditamos em um Brasil do futuro, que trará progresso nas negociações climáticas e que irá unir países do norte e do sul, se tornando um mediador de bom senso e esperança na política global. Agora, esta esperança será depositada na Presidente Dilma. Vamos desafiá-la a rejeitar Belo Monte e buscar um caminho melhor. Nós a convidamos a honrar esta oportunidade, criando um futuro para todos nos, desde as tribos do Xingu às crianças dos centros urbanos, o qual todos nós podemos ter orgulho.
Com esperança
Ben, Graziela, Alice, Ricken, Rewan e toda a equipe da Avaaz
Fontes:
Belo Monte derruba presidente do Ibama:
http://colunas.epoca.globo.com/politico/2011/01/12/belo-monte-derruba-presidente-do-ibama/
Belo Monte será hidrelétrica menos produtiva e mais cara, dizem técnicos:
http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/04/belo-monte-sera-hidreletrica-menos-produtiva-e-mais-cara-dizem-tecnicos.html
Vídeo sobre impacto de Belo Monte:
http://www.youtube.com/watch?v=4k0X1bHjf3E
Uma discussão para nos iluminar:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101224/not_imp657702,0.php
A mega usina de Belo Monte iria cavar um buraco maior que o Canal do Panamá no coração da Amazônia, alagando uma área imensa de floresta e expulsando milhares de indígenas da região. As empresas que irão lucrar com a barragem estão tentando atropelar as leis ambientais para começar as obras em poucas semanas.
A mudança de Presidência do IBAMA poderá abrir caminho para a concessão da licença – ou, se nós nos manifestarmos urgentemente, poderá marcar uma virada nesta história. Vamos aproveitar a oportunidade para dar uma escolha para a Presidente Dilma no seu pouco tempo de Presidência: chegou a hora de colocar as pessoas e o planeta em primeiro lugar. Assine a petição de emergência para Dilma parar Belo Monte – ela será entregue em Brasília, vamos conseguir 300.000 assinaturas:
http://www.avaaz.org/po/pare_belo_monte/97.php
Abelardo Bayma Azevedo, que renunciou à Presidência do IBAMA, não é a primeira renúncia causada pela pressão para construir Belo Monte. Seu antecessor, Roberto Messias, também renunciou pelo mesmo motivo ano passado, e a própria Marina Silva também renunciou ao Ministério do Meio Ambiente por desafiar Belo Monte.
A Eletronorte, empresa que mais irá lucrar com Belo Monte, está demandando que o IBAMA libere a licença ambiental para começar as obras mesmo com o projeto apresentando graves irregularidades. Porém, em uma democracia, os interesses financeiros não podem passar por cima das proteções ambientais legais – ao menos não sem comprarem uma briga.
A hidrelétrica iria inundar pelo menos 400.000 hectares da floresta, impactar centenas de quilômetros do Rio Xingu e expulsar mais de 40.000 pessoas, incluindo comunidades indígenas de várias etnias que dependem do Xingu para sua sobrevivência. O projeto de R$30 bilhões é tão economicamente arriscado que o governo precisou usar fundos de pensão e financiamento público para pagar a maior parte do investimento. Apesar de ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, ela seria a menos produtiva, gerando apenas 10% da sua capacidade no período da seca, de julho a outubro.
Os defensores da barragem justificam o projeto dizendo que ele irá suprir as demandas de energia do Brasil. Porém, uma fonte de energia muito maior, mais ecológica e barata está disponível: a eficiência energética. Um estudo do WWF demonstra que somente a eficiência poderia economizar o equivalente a 14 Belo Montes até 2020. Todos se beneficiariam de um planejamento genuinamente verde, ao invés de poucas empresas e empreiteiras. Porém, são as empreiteiras que contratam lobistas e tem força política – a não ser claro, que um número suficiente de nós da sociedade, nos dispormos a erguer nossas vozes e nos mobilizar.
A construção de Belo Monte pode começar ainda em fevereiro.O Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, diz que a próxima licença será aprovada em breve, portanto temos pouco tempo para parar Belo Monte antes que as escavadeiras comecem a trabalhar. Vamos desafiar a Dilma no seu primeiro mês na presidência, com um chamado ensurdecedor para ela fazer a coisa certa: parar Belo Monte, assine agora:
http://www.avaaz.org/po/pare_belo_monte/97.php
Acreditamos em um Brasil do futuro, que trará progresso nas negociações climáticas e que irá unir países do norte e do sul, se tornando um mediador de bom senso e esperança na política global. Agora, esta esperança será depositada na Presidente Dilma. Vamos desafiá-la a rejeitar Belo Monte e buscar um caminho melhor. Nós a convidamos a honrar esta oportunidade, criando um futuro para todos nos, desde as tribos do Xingu às crianças dos centros urbanos, o qual todos nós podemos ter orgulho.
Com esperança
Ben, Graziela, Alice, Ricken, Rewan e toda a equipe da Avaaz
Fontes:
Belo Monte derruba presidente do Ibama:
http://colunas.epoca.globo.com/politico/2011/01/12/belo-monte-derruba-presidente-do-ibama/
Belo Monte será hidrelétrica menos produtiva e mais cara, dizem técnicos:
http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/04/belo-monte-sera-hidreletrica-menos-produtiva-e-mais-cara-dizem-tecnicos.html
Vídeo sobre impacto de Belo Monte:
http://www.youtube.com/watch?v=4k0X1bHjf3E
Uma discussão para nos iluminar:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101224/not_imp657702,0.php
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Lixiviação Humana.
Assistindo os noticiários sobre o apocalipse que esta acontecendo no RJ e SP,me senti quase obrigada a postar alguma coisa aqui falando acerca disso.Mas não faço isso por obrigação,mas sim por que sei que é o mínimo do mínimo do que eu posso fazer.Na região serrana,ocupações desordenadas nas encostas dos morros,ruas sem escoamento e muuita chuva...(8 hr de chuva intensa,pelo menos).O que está acontecendo?É fácil perguntar:" Mas por que que esse caboco foi morar logo aí?".Bem,não é fácil responder.Temos que observar a situação miserável em que vive essa sociedade-cerca de 5 milhões de pesssoas vivem em áreas de risco-que por vezes(quase sempre... )é obrigada a obter aquele,justamente aquele espaço de terra para morar.Será que a situação é diferente em Belém ou no Amazonas?Com o salário sifilítico que temos,morar em Copacabana não é uma opção,digamos...justa.Acho interessante os jornais tentanto "explicar" os desastres."Uma rocha qualquer,ao sofrer intemperismo,tranforma-se em solo,adquire maior porosidade e como decorrência,há penetração de ar e água(muuuuita água), o que cria condições propícias para o desenvolvimento de formas vegetais e animais(planta de jardim e homo sapiens?),no Brasil,o o escoamento superficial da água é o principal agente erosivo,que por sua vez,acaba com a fertilidade natural do solo(que pena...),na erosão vertical,a água que se infiltra pelo solo escoa através dos poros ,como em uma esponja e vai,literalmente,lavando os sais mineiras hidrossolúveis,casas e corpos humanos ,que por ventura ,estejam ali presentes...".Acho que,no momento,a população grita:Fodam-se as explicações físico-químicas ou sei lá o que!
É triste ver tanta gente triste,sem ter onde morar ou perdendo toda a família.Vi umas imagens que me fizeram lembrar coisas tipo o Haiti ou o Vietnã.Mortos e mortos.Mas podemos ajudar fazendo doações de dinheiro(no caso de Belém),roupas,alimentos não perecíveis,ou até ajudando a divulgar a solidariedade.Acho que não preciso postar aqui os vídeos ou a notícia do jornal.Seria inútil,basta ligar a TV.Pode ser especulação,pode ser dramatização.Mas o sofrimento,a dor e a tristeza...isso,com certeza,é.Penso,"O que mais um 'simples' processo erosivo pode fazer?"As perdas são irreparáveis.O marido,a esposa,os cinco filhos,os 3 netos,o cachorro,a casa...O que mais a terra pode levar e a chuva...lavar?A diginidade ou talvez...a esperança?
"Estou bem,apesar de ter perdido tudo."Disse uma senhora de Teresópolis.
Ajudemos juntos.
Lia Tatyane Alvez
domingo, 16 de janeiro de 2011
Peso.
Às vezes me pergunto se é o corpo ou a mente que precisa de tempo.Os dois.O corpo,como toda máquina,necessita recarregar.A mente,como toda obra,precisa de reparos e descanso.Na dualidade do meu desconforto,penso que como um todo,eu preciso de tudo.Minha ''fraqueza'' deixa minha mente escrava de meu corpo,ou será o contrário?Por um segundo acho que é 'coisa de minha cabeça'.Por que será?Obviamente não sei.Já me confundi tantas vezes em tentar achar a resposta,desse jeito sinto-me mais escrava dessa prisão que a cada dia persegue meus terríveis sonhos e meus pobres pensamentos.A espera me deixa cansada.Confusão,paro pra analisar minha confusão e sinto-me perdida(claro).
Passo a mão nos olhos e passa olheiras profundas de descontentamento.Passa meu cabelo mal-lavado e passa o tempo frio e calado.Passa a postura com que sento na cama e me vejo curvada e fraca.Pensando.Sou feita de pele e osso e chocolate.E pele e chocolate.E chocolate e pele.
As horas caem pela mente,adentra pelos olhos,caem ao compasso do meu colo e desce até a cintura,ligeiramente circula minha perna e atravessa meus pés e sai , voa.Tudo isso sem sentir,apenas passa (ou escorre?).Não sei,mas pesa.Pesa e passa.
Lia-
''Demasiadas palavras,fraco impulso de vida ,travada a mente na ideologia e o corpo não agia ,como se o coração tivesse antes que optar entre o inseto e o inseticida.''
Futuro
Manuel ainda relutou,sentado na cama,antes de deitar,desligar a luz de cabeceira,enfiar-se debaixo dos lençóis.Não dormiu de imediato,seus olhos demoraram para fechar.Por fim fecharam e ele dormiu,e dormiu bem.Tem apenas uma vaga noção do que lhe aconteceria se tivesse ido ao encontro.Tivesse ido conheceria a mulher estonteante que Carlos contratara.Teria tomado do melhor champanhe,comido da melhor comida.Riria muito das piadas de Carlos,sujeito simpático à beça.Sorriria um pouco sem graça dos elogios endereçados a ele.Não deixaria de notar a maneira como a mulher o encarava,o jeito com que,voltando do banheiro,sentaria ao seu lado,roçando a perna na sua.A noite,o motel mais caro da cidade ela pagaria,e seria o melhor sexo que teria feito.Fim de semana passaria do iate de Carlos,mais champanhe,mais mulheres que pareciam nem existir,tão bonitas,tão solícitas,justo com ele,um sujeito bem sem graça.Não fosse pra cama,segunda-feira sua mãe lhe telefonaria,logo depois que um emissário do Doutor Carlos deixasse sua casa.Você é o melhor filho que Deus podia ter me dado,esse é o sonho de uma vida,Roma!,Jerusalém!,obrigada Manesinho,meu Manesinho!Manuel não teria corajem de dizer que era engano,que não havia presente algum.E quando Carlos o convidasse para jogar bola em seu sítio,com cantor sertanejo famoso,com ex-jogador da seleção,não conseguiria recusar.Jogando tênis, num sábado,perguntaria o porquê do abatimento do amigo.Carlos,hesitante,diria que precisava de um favor,porém não achava certo incomodá-lo,fazer com que se arriscasse.Dois dias de insistÊncia para Carlos revelar:precisava de cópias das propostas de outras empresas.Perdoasse-o por ter falado,é que a situação era desesperadora.Manuel teria dito que sentia muito,nada poderia fazer.Carlos se desculparia outra vez,não tocaria mais no assunto.Uma semana e Manuel levaria ao amigo a lista confidencial.Em dois anos teria seu primeiro milhão,seu primeiro remédio para insônia.Em dez,dez.Uma mulher linda lhe daria filhos lindos que herdariam as fazendas,a casa de praia,as amizades.Nada na vida como as amizades.Manuel teria tido uma vida farta,uma vida ótima.E na hora de morrer,por um instante e com toda sinceridade,teria se arrependido.Se não tivesse ido dormir, naquela noite.Mas ele foi.Jamais provará do melhor champanhe,da mulher mais cara.Terá uma vida difícil de funcionário público.Casará com uma gorda que lhe dará filhos gordos,mesmo ele ficará gordo.sonhará todos os dias com o fim das prestações da casa própria,com a aposentadoria.Sua mãe morrerá sem ir à Roma ou Jerusalém,no máximo,Aparecida do Norte,de ônibus.Uma noite de domingo acordará e saberá que a morte se avisinha.Por um instante e com toda sinceridade ele se arrependerá.E fechará os olhos,sorrirá um sorriso quieto,sem alegria ou tristeza.E sem perceber,Manuel adormecerá.
Conto retirado do livro -"18 contos de corrupção",antiga leitura obrigatória do vestibular.
Autor do conto:Carlos Eduardo de Magalhães.
Eu Paradoxo.
-Solzinho frio,no aconchego desconcertante do sono incansável.Acabo ouvindo o vazio roer as poesias nunca escritas,os versos nunca ditos.A noite mais clara do ano foi aquela em que eu acordei e sonhei comigo mesma,falando sozinha,um trecho,eu paradoxo.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Vem
Para de falar de ti e vem
Vem ver o sorriso te mastigar
E a maneira de me olhar...
Para de dizer bobagens e vem
Vem provar da boca entreaberta
Vem provar do sujo beijo calado
Sujo,Rosto apertado...
Para de fingir que finges bem
Se só eu sei o que não tens
E o que é meu,és meu,meu bem...
Cala a boca e vem...Lia
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Tragos
O tempo passou devagar naquela noite.Os lençóis enrolavam por entre as pernas e as lágrimas molhavam a boca seca.O silêncio desaparecia nos pensamentos fétidos e incansáveis.Parou e viu a sombra na parede,eram os erros que haviam surgido.Os problemas.As raivas e rancores.Como se já não bastasse aquela noite,o fígado estragado reclamava e a barriga gemia.
E o pensamento?perturbador.Mais um dia vazio na vida daquela mulher...Enquanto se mechia,os outros brigavam na parede de cima,discutindo problemas ridículos e não muito interessantes.Ao lado,gritos e gemidos intensos,típicos de uma casa vermelha.Mas não,era uma casa de oração,imagina.Exclamavam o mais alto som para glorificar seu deus,pronunciavam coisas impronunciáveis e cantavam a música mais deprimente que ela já ouvira.Atrapalhavam e conduziam o desespero daquela pequena,que tentava dormir.
E quando o Hialo nascia,a claridade invadia o quarto apertado,ilumindando o rosto sujo e o corpo nu.Lenvantou-se lentamente,foi esperar mais uma noite...Cansou de insistir.
"(...)Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas,de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero."
Texto: Lia,com "finalização" de F.Pessoa.
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