O Vale de Ismália
terça-feira, 19 de março de 2013
Igarapé
Foto pra marcar um maravilhoso mergulho ao desconhecido,no interior de Bragança/PA,casa de uma amiga,ano novo,desabitado lugar que em mim se transfigurou.Romper do ano (2012-2013),romper dos mundos.Passeio doloroso e transcendental pela mata (quase) fechada,onde eu vivenciei uma das experiencias mais extracorpóreas até o atual momento!Ainda posso sentir os arrepios. Estávamos caminhando para o território de mami Osùn,dona das águas doces,do amor e do ouro!Mas claro,passamos por Exu,Ossaim,Oxossi,Ogum,Oyá e os senhores e senhoras das matas!Eu VIVI e me surpreendi....
Foto: ORAIE E!
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
20
Vinte anos
Pela campina as borboletas se amam ao estrépito das asas.
Tudo quietação de folhas. E um sol frio
Interiorizando as almas.
Mergulhado em mim mesmo, com os olhos errando na campina
Eu me lembro da minha juventude.
Penso nela como os velhos na mocidade distante:
- Na minha juventude...
Eu fui feliz nesse passado grato
Viviam então em mim forças que já me faltam.
Possuía a mesma sinceridade nos bons e maus sentimentos.
Aos frenesis da carne se sucediam os grandes misticismos quietos.
Era um pequeno condor que ama as alturas
E tem confiança nas garras.
Tinha fé em Deus e em mim mesmo
Confessava-me todo domingo
E tornava a pecar toda segunda-feira
Tinha paixão por mulheres casadas
E fazia sonetos sentimentais e realistas
Que catalogava num grande livro preto
A que tinha posto o nome de Foederis Arca.
A minha juventude...
Onde eu seguia ansioso Tartarin pelos Alpes
E Júlio Verne foi o mais audaz de todos os cérebros...
Onde Mr. Pickwick era a alegria das noites de frio
E Athos o mais perfeito de todos os homens...
A minha juventude
Onde Cervantes não era o filósofo de D. Quixote...
A minha juventude
E a noite passada em claro chorando Jean Valjean que Victor Hugo matara…
Como vai longe tudo!
Pesa-me como uma sufocação meus próximos vinte anos
E esta experiência das coisas que aumenta a cada dia.
Medo de ser jovem agora e ser ridículo
Medo da morte futura que a minha juventude desprezava
Medo de tudo, medo de mim próprio
Do tédio das vigílias e do tédio dos dias…
Virá para mim uma velhice como vem para os outros
Que me dissecará na experiência?
Da campina verde voaram as borboletas…
Só a quietação das folhas
E o meu turbilhão de pensamentos.
Tudo quietação de folhas. E um sol frio
Interiorizando as almas.
Mergulhado em mim mesmo, com os olhos errando na campina
Eu me lembro da minha juventude.
Penso nela como os velhos na mocidade distante:
- Na minha juventude...
Eu fui feliz nesse passado grato
Viviam então em mim forças que já me faltam.
Possuía a mesma sinceridade nos bons e maus sentimentos.
Aos frenesis da carne se sucediam os grandes misticismos quietos.
Era um pequeno condor que ama as alturas
E tem confiança nas garras.
Tinha fé em Deus e em mim mesmo
Confessava-me todo domingo
E tornava a pecar toda segunda-feira
Tinha paixão por mulheres casadas
E fazia sonetos sentimentais e realistas
Que catalogava num grande livro preto
A que tinha posto o nome de Foederis Arca.
A minha juventude...
Onde eu seguia ansioso Tartarin pelos Alpes
E Júlio Verne foi o mais audaz de todos os cérebros...
Onde Mr. Pickwick era a alegria das noites de frio
E Athos o mais perfeito de todos os homens...
A minha juventude
Onde Cervantes não era o filósofo de D. Quixote...
A minha juventude
E a noite passada em claro chorando Jean Valjean que Victor Hugo matara…
Como vai longe tudo!
Pesa-me como uma sufocação meus próximos vinte anos
E esta experiência das coisas que aumenta a cada dia.
Medo de ser jovem agora e ser ridículo
Medo da morte futura que a minha juventude desprezava
Medo de tudo, medo de mim próprio
Do tédio das vigílias e do tédio dos dias…
Virá para mim uma velhice como vem para os outros
Que me dissecará na experiência?
Da campina verde voaram as borboletas…
Só a quietação das folhas
E o meu turbilhão de pensamentos.
A hora íntima
Quem pagará o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral
Dirá de mim: - Nunca fez mal...
Quem, bêbedo, chorará em voz alta
De não me ter trazido nada?
Quem virá despetalar pétalas
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore?
Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
Sorrirá: - Rei morto, rei posto...
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio
Tocará o botão do seio?
Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: - Foi um doido amigo...
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme
Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançará um punhado de sal
Na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Por motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há de orar: - Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: - Não há de ser nada...
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?
Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral
Dirá de mim: - Nunca fez mal...
Quem, bêbedo, chorará em voz alta
De não me ter trazido nada?
Quem virá despetalar pétalas
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore?
Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
Sorrirá: - Rei morto, rei posto...
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio
Tocará o botão do seio?
Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: - Foi um doido amigo...
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme
Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançará um punhado de sal
Na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Por motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há de orar: - Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: - Não há de ser nada...
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?
Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Rio de Janeiro, 1950.
Vinícius de Moraes
Tristeza não tem fim...
Tristeza não tem fim Felicidade sim
A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranqüila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira
Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor
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